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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

A Sereia, de Kiera Cass

Olá a todos pessoal, hoje venho-vos falar sobre este livro que li e adianto já que amei imenso, mas antes de falar do livro em si vou dar um pouco a conhecer quem é Kiera Cass.


Kiera Cass nasceu na Carolina do Sul, formou-se em História pela Universidade de Radford. Atualmente vive em Christiansburg, na Virgínia  com a sua família. Kiera Cass possui o seu próprio Website que vocês podem visitar através do link: http://www.kieracass.com/ .
Autora também da série A Seleção.


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Falando agora de A Sereia, para já digo que é um bom livro para se ler durante o verão, pelo menos para mim foi uma boa leitura de verão.

Um pouco sobre o contexto deste livro é que é nos narrada a história de Kahlen, uma rapariga cujo Oceano salvou a sua vida e por isto esta ficar presa num debito para com a Oceano.

Com isto ela torna-se numa sereia (ou numa sirene) e usa a sua voz ,em conjunto as suas irmãs, para causarem naufrágios para que estes alimentem Oceano. Contudo Kahlen faz um registo das pessoas que morreram nesses naufrágios.

As sirenes não podem falar usando a sua voz pois isso traria um grande caos, por isso elas comunicam mais por telepatia entre si, mas digamos que ao Kahlen conhecer o seu homem de sonho, apesar de tudo estar a correr bem, sabemos sempre que uma tragédia acontece.

Provavelmente alguns de vocês conseguem imaginar o que aconteceu, e digamos que trouxe graves consequências.


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É claro que não vou falar de tudo sobre o que se passa no livro pois quero que todos tenham a mesma experiência que eu tive quando li o livro, sei também que não sou muito boa a fazer analises do livro sendo que quem faz a maior parte destas análises é a nossa Maria.

Vou tentar trazer mais livros que leio e tentar fazer uma analise mais profunda dos mesmos, mas como não estou habituada a fazer analises dos mesmos tenham paciência comigo durante algumas analises, pois prometo que irei melhorar!

sábado, 29 de junho de 2019

Joanne Harris : O Reino Do Fogo - O Evangelo De Loki

Hoje vou vos falar deste livro que li e que simplesmente amei, não só pela história, mas também porque me identifiquei com a personagem principal e concordo muito com algumas passagens deste livro.



Uma mensagem que eu consegui perceber que esta história se trata é o facto de que aquelas pessoas as quais as pessoas dizem ser pessoas muito simpáticas e que todos as respeitam, nem sempre essas pessoas são como os outros pensam, ou seja, é aquela famosa frase "as aparências iludem".
Antes de começar a fazer a analise do livro em si, vamos primeiro conhecer um pouco mais sobre a autora.

Joanne Harris nasceu em Yorkshire, filha de mãe francesa e pai inglês. Estudou Línguas Modernas e Medievais em Cambridge. Foi professora por 15 anos. A sua obra encontrasse publicada em 40 países e foi, também, galardoada com vários prémios literários internacionais. Vive com o seu marido Kevin e a sua filha Anouchka, cerca de 20 quilómetros do sitio onde nasceu.

Antes de mais o livro apresenta-nos logo no inicio a lista das personagens que vão aparecer na história com uma breve descrição sobre os mesmos. depois disso segue-se um prefácio e neste Loki diz que esta é a versão dele onde ele vai brilhar. O livro esta dividido em 4 livros e nestes livros há lições, debaixo de cada numero de lição há uma frase que esta conectada ao texto que vem a seguir. E em cada livro há um excerto da profecia do Oráculo.

A história é narrada por Loki, desde o momento em que ele foi para Asgard a "convite" de Odin, aí Loki tenta se dar bem com os outros deuses (mas como sabemos não vai dar muito certo, porque é do Deus Loki o Impostor que estamos aqui a falar), até ao momento do Ragnarok. Durante a história vemos as aventuras dele com Thor (Spoiler: a minha parte favorita é quando para recuperar o seu martelo este tem que se vestir de noiva), onde vemos as suas aventuras românticas, e por aí adiante. No inicio de cada capitulo tem uma mini lição, algo como "não confiem nos irmãos" e por aí.

Aconselho mesmo muito a que leiam o livro porque pelo menos eu identifiquei-me muito com o próprio Loki e quem tem curiosidade em conhecer melhor a mitologia nordica é uma boa maneira de ficar a conhcer!

Não sei se fiz uma boa publicação sobre o livro já que é a primeira vez que faço, mas de qualquer das maneiras vou tentar trazer mais livros que li para vocês!

domingo, 27 de agosto de 2017

Harry Potter e os Talismãs da Morte

Bem, parece que hoje é o nosso último dia da Semana Harry Potter e então hoje e apenas numa publicação falarei dos Talismãs da Morte, exato dois filmes numa publicação ;)








       

Começemos então!








Após o duo inicial encantador de Chris Columbus para a saga, tivemos a visão um pouco cansativa mas muitíssimo autoral de Alfonso Cuarón para O Prisioneiro de Azkaban, a prioridade dos efeitos e avanço da história em detrimento da qualidade na versão de Mike Newell para O Cálice de Fogo, e chegamos a David Yates, que assinou o contrato para a direção de A Ordem da Fênix e conseguiu a cadeira cativa e a missão de finalizar a série cinematográfica mais cotada deste início de século. A Ordem da Fênix, um dos livros mais complexos da série, teve uma versão cinematográfica rala e ainda marcou o início da Era do Espectador Potterhead, ou seja, só entenderia completamente os filmes dali para frente, quem tivesse lido os livros. Não é preciso dizer que para o cinema, esta atitude de “grupo fechado” é algo completamente anormal e imperdoável, mas por outro lado, os fãs do menino bruxo sentem-se privilegiados pelo domínio pleno de uma linguagem e sucessão de fatos incompreensíveis para o mundo dos muggles.
N’O Príncipe Misterioso, uma tendência fotográfica abominável que muito permeia os filmes de fantasia desta Era Digital encontrou nos tons verdes e cinza o seu reino eterno: o monocromatismo. Além disso, a pouca originalidade da trilha sonora, sem John Williams na composição desde Azkaban, serviu para dar ânsias e semear o mal estar nos fãs mais exigentes e nos espectadores mais críticos, algo que, felizmente, diminui muito nesta penúltima parte da saga, Os Talismãs da Morte: Parte I.
Se nos dois filmes que dirigiu anteriormente David Yates priorizou os efeitos visuais e especiais acrescidos de uma agilidade quase forçada a fim de dar andamento à história, nesta penúltima parte, em duas horas e vinte e seis minutos de filme, o objetivo é outro: trazer o máximo de elementos do livro para o ecrã, plasmar o amadurecimento emocional-psicológico e mágico dos protagonistas e dar conta do mundo ameaçado pelas forças do macabro Lord Voldemort, um mundo de medo, repressão, prisão e julgamentos arbitrários de bruxos de “sangue mau”, além da busca solitária por objetos ícones para o “lado das trevas”.

Apesar desta nova linha de direção,  é muito difícil analisarmos esta primeira parte do último capítulo da saga, porque ela é o meio de um processo iniciado no filme anterior e que será completada no próximo ano. Ainda assim, As Relíquias da Morte I possui luxos e e também problemas dignos de um olhar mais atento.
Já nas primeiras sequências, a sensibilidade quase lírica com que vemos Hermione apagar a memória dos pais e as suas fotos de todos os quadros da casa, mais as tomadas paralelas do trio protagonista da saga, mostram o estado de espírito de cada um e o rumo que seguem a partir desse momento. O filme, desde a sua introdução, é a saída para uma longa busca.
Em meio ao tenso e macabro mundo em que vivem os bruxos agora, pontadas de humor e inadequações dramáticas quebram a atmosfera lúgubre: o casamento de Fleur e Bill Weasley, a invasão do Ministério da Magia por Harry, Ron e Hermione, as tentativas de reconciliação de Ron com Hermione, após voltar para a cabana, e a melhor de todas as sequências cómicas, embora dentro de um contexto nada engraçado: a transfiguração dos sete Potter. Mesmo o uso da câmera e a moderada quantidade de planos dessas sequências são exemplos de um leve amadurecimento narrativo, o que podemos dizer que também aconteceu com a fotografia e o uso da música.

A montagem preferiu a divisão entre os planos como se fossem capítulos do livro, e o uso do fade-out foi a transição usada em larga escala. A suavidade entre os blocos de ação, no entanto, não justificam a supressão do preparo para os acontecimentos. Tudo acontece muito rápido e essa é a poeira que acompanha o novo vento de David Yates. As longas panorâmicas geográficas e os planos médios de observação das vigílias de Harry e Hermione poderiam dar lugar ao processo de criação da ação, o que deixaria a narrativa melhor embebida em suspense, recurso usado de forma interessante.
Apesar de não inovar completamente e pecar sem escrúpulos na passagem do tempo e no trabalho com a decupagem, rompantes de criatividade e beleza arrebatam o espectador neste filme, sendo o maior deles, a representação em animação d’O Conto dos Três Irmãos. Aqui, a fotografia do português Eduardo Serra alcançou um dos seus melhores momentos no filme. As sombras que desfilam para formar a história que ouvimos narrada em off são um espetáculo à parte. Nunca, em nenhum dos filmes da série, uma sequência tão bela teve tanto a ver com o contexto e conseguiu tamanha beleza e pertinência no guião. Mesmo os elementos visuais que ligam a casa dos Lovegood à história macabra, “Era uma vez três irmãos que estavam a viajar por uma estrada deserta e tortuosa ao anoitecer…”, correspondem a 100% à representação, quase um teatro de sombras digital.

A emoção e o definitivo clima de guerra são as grandes colunas aqui. A morte da Edwing, do Dobby e do líder da Ordem da Fénix, Alastor Moody, dentre outras, servem para salientar a maldade dos Devoradores da Morte e a impotência dos bruxos bons frente a essa força que cresce desenfreadamente.
A supressão do tempo de preparação de algumas ações-chave para a história tentam ser corrigidas através das visões do Harry em contacto com a mente do nosso Lord Voldemort. Sequestros, mortes e violações são pré-vistas pelo jovem e mostradas rapidamente ao espectador, culminando na última cena do filme, quando o túmulo de Dumbledore é violado e a principal relíquia da morte é roubada pelo malvado Lorde das Trevas. Esta primeira parte de Os Talismãs da Morte é claramente um grande esforço de David Yates. Embora não seja um excelente filme, agrada pelo seu moderado dinamismo narrativo, pela revelação leve da sexualidade, pelos sustos e bons efeitos especiais. A história perde no guião que prima pela languidez, tendo muito tempo morto e deixando de lado o caminho da ação, algo tão prezado no último livro. 
Harry Potter e Os Talismãs da Morte – Parte 2 traz o fim da saga com muitissima dignidade, embora algumas expectativas frustradas colaborem para fazer o espectador desgostar deste ou daquele rumo dado ao filme. Embora estas questões pontuem toda e qualquer obra adaptada para o cinema, esta última parte é um momento delicado e é importante que o vejamos de uma maneira diferente. 
Sendo uma continuação imediata do filme anterior, não havia outro meio para David Yates não trazer desde o início a atmosfera de tristeza, abandono e medo que sobrevivera ao fim do último filme, quando Voldemort conseguiu uma das essenciais relíquias da morte. Neste sentido, não é de estranhar que o filme comesse com uma carga reticente de acontecimentos e que traga um grande fluxo de ação antes mesmo de completada a primeira meia hora.
Sendo resultado de um “trabalho de retalhos”, esta última parte peca no ritmo externo e tropeça em alguns momentos no ritmo interno. No primeiro caso, estamos diante do mais pequeno de todos os oito filmes, e por isso mesmo uma enorme quantidade de acontecimentos precisam ser condensadas e agrupadas de modo lógico para que tudo se encontre e resolva no fim. A tarefa do editor Mark Day foi particularmente difícil e, apesar das suas tentativas de equilibrar o filme, não logrou fazê-lo o tempo todo, especialmente se considerarmos o fim, quando, a despeito da força das cenas, houve uma grande desaceleração dramática. No segundo caso, o trabalho da montagem paralela chegou a desestruturar algumas sequências, porque, embora intensificasse o suspense por algum tempo, no fim de contas chegava ao produto fácil, com um “encontro” entre as cenas; ou não chegava a lugar algum: os dois acontecimentos resolvendo-se por si só em lugares separados, como no momento em que o trio protagonista foge para salvar o meu lindo Draco (sim, ele é o meu personagem favorito).
Numa análise pormenorizada, percebemos que Os Talismãs da Morte – Parte 2 é um filme pensado para “ter cara de último filme”, daí o desfile dos personagens no ecrã. Os flashbacks e o tom nostálgico são os grandes responsáveis por emocionar o espectador e fazer deste o melhor filme de toda a saga. Antes de mais nada, Harry Potter representa toda uma geração que cresceu a ler os livros e a ver os filmes, portanto, não se trata de pouca coisa, trata-se de uma geração inteira que se reconhece, também na ficção, como adultos; por isso a grande identificação com tudo o que temos neste último filme. 
 Na direção, David Yates é melhor do que fora nos outros filmes e o mesmo mérito cabe ao elenco jovem. Daniel Radicliffe e Emma Watson estão muito bons, o primeiro na sua melhor apresentação de toda a saga, e a segunda acompanhando a ascendência da postura vinda com a idade. O destaque-surpresa vai para Rupert Grint.

Na pele de Belatrix Lestrange, Helena Bonham Carter é uma revelação, com duas aparições completamente diferentes e absolutamente perfeitas. O outro destaque vai para o eterno Alan Rickman, o misterioso Severus Snape. Lágrimas, paixão e dor, são palavras que podemos associar à sua personagem nesta parte final e a sequência da sua morte e o que se segue é certamente uma das melhores cenas do filme. Matthew Lewis, o atrapalhado Neville Longbottom destaca-se bastante e coube-lhe uma das cenas mais interessantes do fim do filme. Ralph Fiennes dá um espetáculo de maldade na pele de Lord Voldemort. Além da excelente caracterização, o ator consegue trazer consigo todo o símbolo do mal. É realmente impagável.
Com louváveis efeitos visuais e especiais e a hipnotizante trilha de Alexandre Desplat, o filme consegue afirmar-se como produto inteiro. Se escorrega em alguns pontos da sua forma técnica, ganha outros tantos na ação, nas atuações, na direção de arte e na fotografia, aliás, um louvável trabalho de Eduardo Serra, que passa da predominância de tons escuros, azulados e negros, para um fim de filme bem iluminado e, apesar de não descaracterizar o todo da obra usando excesso de cores quentes, a mudança é sentida e dramaticamente significativa, dando o acertado ar de esperança para o fim. Em tempos de paz, apenas o peso recorrente da afirmação da família poderia caber na última cena e é isso mesmo o que acontece. Embora sem a essência mais fraterna e mais “humana” do livro, temos no desfecho a sensação de que tudo, enfim, acabou. Todos os dramas de uma vida, os medos e as esperanças estão ali. O rapaz que sobreviveu e os seus amigos agora são pais de família. Nada indica que o mal retornará. O bem venceu. E por mais clichê que isto possa parecer, isto agrada. Harry Potter e o seu mundo bruxo, sem as tantas ameaças que tinha, ficam tão normais quanto o mundo dos muggles. E por isso mesmo é hora de acabar. Como o comboio que parte de King’s Cross, vemos o grande fenômeno cinematográfico do nosso tempo partir, sendo assim o fim de uma era.
Bem chegamos ao fim da nossa Semana Harry Potter que sem dúvida irá deixar saudades <3

sábado, 26 de agosto de 2017

Harry Potter e o Príncipe Misterioso

Chegamos ao nosso penúltimo dia da Semana Harry Potter e como não podia deixar de ser, vou falar do nosso querido filme Harry Potter e o Príncipe Misterioso.
O Principe Misterioso pode não ser a revelação da saga Harry Potter, mas certamente é um dos filmes mais densos da série. O diretor David Yates teve aqui o mérito de trazer um livro bastante teórico para os ecrãs de um modo muito satisfatório, esboçando viagens, diálogos quase filosóficos, crises de consciência e a abertura para a grande investida do bem contra o mal. Embora haja uma infantilização nada necessária e os amores adolescentes tenham minimizado bastante o valor geral do filme, o apuro estético contido nas diversas sequências de magia e a grande jornada de Harry ao lado de Dumbledore, mais sentida no livro do que no filme, fazem desta obra, apesar dos defeitos, uma boa e sombria diversão.
Com a ascensão do poderoso Lord das Trevas, a comunidade bruxa procura ao máximo minimizar os efeitos que isso pode causar nas suas vidas, mas a agressão dos Devoradores da Morte, agindo cada vez mais abertamente, só mostra o quão complexa é a situação da sociedade bruxa naquele momento. Uma comparação com a ascensão de qualquer regime fascista não seria deslocada aqui, e podemos observar essas semelhanças de uma melhor forma se nos focarmos no discurso do Voldemort e dos seus seguidores, com destaque para a primazia dada aos bruxos de “sangue-puro” ou a forma como ele trata os que não se enquadram naquela categoria. Tanto na obra literária quanto no cinema, O Enigma do Príncipe é uma espécie de ponte para a longa jornada e futura batalha que ocorrerá em Hogwarts mais adiante.
Há um deslocamento das aulas, do funcionamento interno de Hogwarts para algo mais “desleixado”, e o guião do filme, nesse sentido, sofre bastante. Mas a compensação aparece nas “viagens” feitas por Harry, com destaque para a ótima animação feita “com tinta” em relação ao pensador e em toda a longa sequência de Dumbledore e Harry na busca da Horcrux num rochedo perdido do Mar do Norte. Um dos ótimos momentos visuais no filme é o feitiço lançado por Dumbledore que afasta os mortos do lago. Na mesma medida, vejo que a morte do diretor de Hogwarts é de deplorável alcance dramático, com uma secura que não convém àquela cena que deveria ter tudo para ser uma das melhores. Isso é ainda mais grave, porque a fotografia de Bruno Delbonnel não ajuda nem um pouco a construir os sentimentos do espectador e nem em passar as mudanças internas da obra através de uma paleta de cores ao menos básica. Isso que dizer que O Enigma do Príncipe é certamente o exemplar monocromático da saga. Isso aconteceu antes, é verdade, mas aqui, essa presença é maior e de impacto mais negativo, justamente pelo peso que o texto nos traz.
Mas infelizmente não para por aí. O fim do filme é realmente o seu ponto mais fraco, com uma deixa e um arranjamento de eventos que nem satisfaz bem a totalidade do presente filme e nos enerva ao máximo quando não prepara bem o cenário para os eventos que virão. Ao menos no livro essa deixa está bem estruturada, Steve Kloves deveria ter seguido o exemplo literário nesse ponto.

Apesar de todos estes elementos, O Enigma do Príncipe não é um filme tão odioso quanto pintaram-no alguns fãs. Vale uma boa e tensa visualização, apesar do ar de romance adolescente e certas escolhas narrativas contrastarem com a realidade trágica em que os bruxos enfrentavam. Uma realidade que só piora a partir daqui!
Nem posso acreditar que a Semana Harry Potter já acaba amanhã :( Vou ter saudades de falar da minha saga preferida de todos os tempos!


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Harry Potter e a Ordem da Fénix

Estamos a chegar à reta final da nossa Semana Harry Potter e isso significa que chegamos finalmente ao meu livro/filme preferido, exatamente o Harry Potter e a Ordem da Fénix, eu simplesmente amo o filme e amo ainda mais o livro <3
Desde que Alfonso Cuarón dirigiu Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, as aventuras do agora bruxo míope e com uma cicatriz em forma de raio na testa deixaram de ser voltadas ao público infantil. Cuáron revolucionou a saga ao optar por uma abordagem mais séria e sombria, que foi levada adiante por Mike Newell em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Mas é este Harry Potter e a Ordem da Fénix que define o que a saga já deveria ter sido há muito tempo, e os méritos disso vão especialmente para David Yates, um premiado diretor televisivo, que causou certas dúvidas sobre se era a escolha apropriada ou não, mas que surpreendeu com o seu bom resultado fazendo um dos filmes mais interessantes da saga, senão mesmo o mais interessante.
Já no seu quinto ano em Hogwarts, Harry descobre que a comunidade bruxa está a abnegar o seu recente encontro com o maligno Lord Voldemort, preferindo fechar os olhos perante as notícias de que o Voldemort teria regressado. Temendo que o venerável diretor da escola de Hogwarts, Albus Dumbledore, esteja a mentir sobre o retorno do Lord das revas, na tentativa de tomar o seu cargo, o Ministro da Magia Cornelius Fudge indica um novo professor para a disciplina de Defesa Contra as Artes Negras, de forma que este fique de vigia a Dumbledore e aos alunos de Hogwarts. Mas a indicada, professora Dolores Umbridge, faz com que a disciplina deixe de ser ministrada para os bruxos mais novos que estão despreparados para defender-se contra as artes negras que ameaçam a comunidade bruxa. Diante disso os amigos Ron, Hermione e Harry tentam resolver o problema formando secretamente um pequeno grupo de estudantes quem se denominaram “Armada de Dumbledore”. Harry ensina-os a como se defenderem contra as Artes Negras, preparando-os para uma batalha futura.
Assumindo o cargo de guionista Steve Kloves, o novato Michael Goldenberg alcança um ótimo resultado ao conservar apenas o essencial da história. Ainda que exista um ou outro tropeço, em termos de guião, o filme apresenta um grande salto: é mais complexo, mais tenso e trabalha muito bem nos aspetos dramáticos de alguns personagens. Claro, para isto, o Goldenberg foi forçado a realizar grandes cortes na obra, o que logicamente, causou a revolta na maioria dos fãs, incluindo a minha. Mas ainda que seja superior aos seus antecessores neste quesito, existe algo que tira boa parte da força do filme, que é a pouca inventividade da produção. O filme não é tão inteligente quanto O Prisioneiro de Azkaban, nem tão eletrizante quanto O Cálice de Fogo. Mas é, sem dúvida, superior aos dois primeiros exemplares, pelo facto de se afastar completamente do tom infantil e inocente visto nos filmes de Columbus. O clima de magia e descontração aqui é inexistente, dando lugar à evolução da história e dos personagens.
E em meio ao clima pesado que permeia quase cada canto do filme, o diretor encontra tempo para criar cenas belas e sensíveis, como o primeiro beijo do Harry (infelizmente com a Choo), um momento que é motivo de grande euforia, não apenas para o bruxo, mas para os fãs, que tão ansiosamente aguardavam por um momento destes. Outra passagem interessantíssima acontece durante um diálogo entre Harry e o seu padrinho, Sirius Black, onde o rapaz desabafa estar com medo de possuir uma certa tendência para o mal, pelo facto de estar sempre irritado, e é quando Sirius lhe responde que o mundo não se divide entre pessoas boas e más, todos temos luz e trevas dentro de nós, e que o que conta é o lado no qual decidimos agir. Um momento sem dúvida marcante. E todas estas emoções complexas e diversas são passadas ao espectador com uma atuação muito mais eficiente do Daniel Radcliffe. Este foi o primeiro filme que exigiu mais do trabalho dele e o ator respondeu com bastante competência, apresentando uma maior entrega ao papel e tornando Harry uma figura muito interessante de se acompanhar. Mas Radcliffe ainda precisa de um pouco mais de esforço para conseguir equiparar-se com a Emma Watson, sem dúvida, a mais expressiva do trio. A sua personagem é inteligente, racional, sabe o que quer, e tudo somado ao carisma de Watson torna Hermione uma das facetas mais interessantes da saga. Mas deve-se destacar também a evolução do Rupert Grint e o novo rumo que o seu personagem toma. Deixando de vez as caretas de lado, vemos que Ron já não é mais aquele rapaz palerma que víamos nos filmes anteriores. Quando o vemos defender o seu melhor amigo das injustas investidas maldosas dos outros, percebemos que ele já não é mais uma caricatura e sim um rapaz capaz de se por à frente do perigo para proteger a sua forte amizade com o Harry.
E já que chegamos à discussão sobre os personagens, é impossível não sentirmos uma tristeza ao ver uma variedade de coadjuvantes, interpretados por atores tão eficientes, serem reduzidos a pequenas participações. Alan Rickman, Maggie Smith, Robbie Coltrane, Brendan Gleeson, todos possuem um tempo ínfimo no filme, e mesmo que ainda cumpram os seus deveres com eficiência, fica difícil não nos sentirmos decepcionado pela redução de personagens tão interessantes. Mas o filme compensa todas estas diminuições com três adições pra lá de satisfatórias: a primeira é Evanna Lynch, que interpreta a esquisita mas simplesmente fofa e fantástica Luna Lovegood. Impressionante como a atriz, escolhida entre 15 mil candidatas, transborda naturalidade no ecrã, o que torna impossível não abrirmos um sorriso a cada vez em que ela aparece. Da mesma forma, Helena Bonham Carter torna digna de aplausos a sua interpretação da tresloucada Bellatriz Lestrange, que apesar de também não possuir muito tempo em cena, já dá uma prova do que esperar da personagem.
Mas o filme é dela. Da imensa Imelda Staunton. Já indicada ao Oscar de melhor atriz, Staunton traz-nos aquela que é, possivelmente, a melhor atuação de toda a saga. Desde a sua forma de andar, até ao seu modo de falar e sorrir, Staunton encarna com uma perfeição tremenda a megera e odiosa Dolores Umbridge. Nada menos que uma atuação espetacular. Mas surpreendentemente, o filme encontra alguns empecilhos na sua parte técnica. E isso é visível em alguns efeitos visuais. Mesmo com um gordo orçamento de 500 milhões de dólares, alguns efeitos visuais acabam por soar mal feitos e irreais, como é o caso do gigante Grope, feito completamente em CGI, e que consegue ser ainda pior do que o Trasgo visto no primeiro filme. Entretanto, é visível o esforço da equipa neste aspecto quando chegamos ao movimentado e divertido clímax. Um duelo entre varinhas tenso e empolgante, que culmina num grandioso embate final, regado a efeitos de fazer cair o queixo.
Sinceramente foi uma pena que a saída do compositor John Williams, que foi responsável pela trilha dos três primeiros filmes, continue a prejudicar a série. Se o Patrick Doyle, no quarto filme, não conseguiu equiparar-se ao compositor veterano, aqui o resultado é pior, já que o filme conta com uma trilha fraca e pouco inspirada de Nicholas Hooper, que não chega a ser má, mas passa praticamente despercebida. Deve-se destacar, porém, o admirável trabalho de fotografia de Slawomir Idziak, que abusa das entonações azuladas, e que contribui para a construção do clima sombrio do filme. E o competente desenhista de produção Stuart Craig, único da equipa técnica que permaneceu na saga desde o primeiro filme, novamente faz um trabalho esplendoroso, ao criar cenários luxuosos, grandiosos e que foram, injustamente, esquecidos pela premiação do Oscar.
Entre os seus erros e acertos, A Ordem da Fênix consegue surpreender pelo seu resultado super positivo, mesmo que nos faça torcer o nariz em vários momentos. Surpresa maior é o bom trabalho feito por David Yates, que com a sua direção segura, apesar de pouco ousada, mostra que, de facto, entendeu a essência da saga, e transformou este filme no mais interessante da saga.
Bem parece que neste quinto dia da nossa Semana Harry Potter descobriram o meu filme favorito ;) mas até ao fim desta semana mais filmes virão, fiquem atentos ;)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Harry Potter e o Cálice de Fogo

Chegamos ao quarto dia da nossa Semana Harry Potter e hoje falarei do fantástico filme/livro no qual todos deixaram crescer o cabelo, exatamente estou a falar do nosso Harry Potter e o Cálice de Fogo e não se esqueçam nas filmagens deste filme nenhuns dragões foram magoados ;)
Podemos dizer que a ação só acontece de facto na saga Harry Potter a partir do terceiro filme, O Prisioneiro de Azkaban. As duas obras anteriores são incursões pouco abrangentes, porém, muito boas, no mundo bruxo, e trazem muitos resquícios da infância das personagens, ou seja, riscos locais apenas, nada de “perigo global” que ameaça  ninguém diretamente… A partir do terceiro ano em Hogwarts, no entanto, as forças das trevas começam a erguer-se e é aí que tanto a saga Harry Potter quanto o número de fãs cresceram vertiginosamente.
O Cálice de Fogo é o quarto filme da saga e apresenta-se como um dos interessantes “amem-ou-odeiem” em diversos aspectos. O principal deles é a grandiosa reviravolta ocorrida no próprio livro (o maior dos quatro, até então), que traz aos leitores e futuros espectadores toda uma organização burocrática da magia, apenas sugerida anteriormente; e também o grande acontecimento da história, que é o retorno do famoso e temido Lord Voldemort. A incrível linha de acontecimentos que cercam o Torneio dos Três Feiticeiros desde o início, no ataque dos Devoradores da Morte durante o Mundial de Quidditch, já indicam o tom de toda a obra e esse tom é bem capturado por Mike Newell.
Desde o segundo filme, é inegável o bom uso dos efeitos especiais e visuais na saga. Produtos da era da computação gráfica e dos avanços no uso das tecnologias para fins cinematográficos, os filmes do rapaz bruxo concentram uma das mais felizes linhas desses efeitos no cinema da sua era. N’O Cálice de Fogo, eles não se apresentam só como algo puramente visual, mas integram-se de modo orgânico à história. A chegada das duas escolas (Beauxbatons e Durmstrang) a Hogwarts é também um grande evento para o filme, porque pela primeira vez traz um número absurdo de figurantes, algo que seria mais comum nos filmes seguintes. Aliás, O Cálice de Fogo já nas suas primeiras cenas mostra-nos uma grande aglomeração de pessoas.
A ameaça ao mundo bruxo a partir daqui é enorme. Devesse confiar em quem, numa época em que tudo desaba? Esta pergunta assusta mais do que responde à dúvida, mas certamente é o que inquieta os jovens estudantes, principalmente o trio protagonista, que chega a pressentir algo, mas não sabem bem o quê. Para um espectador mais atento, a repetição de que havia alguém a usar a poção Polissuco pode ser um indício válido de que as coisas não são o que parecem, mas certamente essa detalhe escapou (pelo menos em parte) aos que não leram o livro. Todas as sequências que abarcam as provas do torneio são muitíssimo bem feitas. As minhas preferidas são sem dúvida as duas últimas provas, exatamente pela ordem em que acontecem: o lago, e depois, o labirinto. O ressurgimento do Voldemort é uma transposição digna de ser aplaudida de pé, tanto pelos ângulos escolhidos no momento da rápida metamorfose, quanto no ritmo e atmosfera de toda a sequência que precede o Priori Incantatem. A fotografia de Roger Pratt segue mais ou menos a mesma iluminação escolhida por ele n’A Câmara dos Segredos. As partes internas são muito claras e aconchegantes, enquanto que as externas contemplam dias nublados e fechados. A coloração acinzentada da sequência do cemitério é bela e macabra ao mesmo tempo e essa atmosfera junto da atuação de Ralph Fiennes basta para coroá-la como uma das melhores cenas de toda a saga.
Por falar em atuação, percebemos que os protagonistas cresceram um pouco em presença cênica. O elenco de apoio está, como sempre, glorioso, é difícil esses atores britânicos experientes trazerem coisas muito más para os ecrãs, e eu sempre destaco Alan Rickman no papel de Snape, e aqui também, a presença maravilhosa de Brendan Gleeson como Alastor Moody. Sobre a participação do Robert Pattinson como Cedric Diggory, é uma passagem que cumpre o seu papel sem grandes solavancos dramáticos. Ele até não está assim tão mal. O Cálice de Fogo é o reinício da vida de Voldemort e do perigo à solta. Diferente do filme seguinte e especialmente do sexto da saga este é um exemplar mais analítico, observador, embora tenha algumas reviravoltas intensas, e já algo de tragédia, como um prenúncio de todas as mortes e horrores que viriam. A guerra entre bruxos começa, realmente, aqui.
Bem, chegamos ao fim do nosso quarto dia da Semana Harry Potter, mas ainda não chegamos ao meu filme favorito. Qual será ele? Fiquem atentos que em breve descobrirão ;)


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Terceiro dia da Semana Harry Potter significa Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban o terceiro filme/livro desta fantástica saga que tem vindo a encantar milhões de fãs ao longo dos anos.
Sinceramente para mim como potterhead, é-me difícil  falar sobre Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Como filme, é um dos melhores da série, pelo facto de apresentar uma grande evolução em relação aos seus antecessores. Porém, como adaptação, é bastante decepcionante devido à pouca fidelidade do filme com a obra que o originou. Falemos agora então sobre o ponto de vista cinéfilo, ou seja o filme em si.
Chris Columbus, o diretor das duas aventuras anteriores, desta vez assumiu apenas o cargo de produtor, devido ao desgaste após tanto trabalho que tivera. Assim sendo, foi chamado para comandar esta terceira aventura o diretor mexicano Alfonso Cuáron. Logo de início, era possível perceber que seria um trabalho difícil, já que o terceiro livro é um dos mais complexos e desafiadores da série, não apenas pela sua história mais madura, mas porque é neste aqui que os personagens começam a lidar mais intensamente com os seus sentimentos de adolescentes. Felizmente, Cuáron superou todos estes obstáculos, e criou um dos melhores filmes da série, mais divertido e também sombrio.
Harry Potter encontra-se no terceiro ano de Hogwarts. Quando está a voltar de férias, um perigoso bruxo, Sirius Black, foge da prisão Azkaban. E justamente Sirius que era um grande amigo do “You-Know-Who”, que estaria de regresso para terminar o que “You-Know-Who” começou: matar o nosso Harry Potter.
Apesar de trabalhar com a mesma equipa dos filmes anteriores, Cuáron fez a produção evoluir em muitos quesitos, a começar precisamente pelo visual. Enquanto nos primeiros filmes os figurinos, apesar de criativos, soaram um pouco repetitivos, o diretor fez uma acertada escolha ao permitir que os protagonistas usassem roupas próprias e esta opção funciona perfeitamente, uma vez que sentimos que os atores estão mais à vontade nos seus papéis. Isto deixa o filme com um visual mais moderno, além de causar uma maior identificação com a maioria dos fãs adolescentes. E se houve uma coisa que Cuáron fez bem foi inserir a sua marca no filme sem deixá-lo soar demasiado autoral. Utilizando a sua câmara com mais intensidade que Columbus, o diretor optou por closes e movimentos criativos, além da utilização de planos mais abertos, que traduzem toda a beleza e imponência dos cenários de Hogwarts. O diretor enfatiza no clima vazio e sombrio das paisagens, sempre nublados, que ajudam a criar o tom sombrio ideal para este filme.
Cuáron também dá um ritmo delicioso ao filme, tornando-o bem menos enfadonho do que os dois primeiros. A já habitual abertura na casa dos Dursley, por exemplo, é rápida, mas define bem o que o Harry é agora, um rapaz que está a crescer, que está a começar a adquirir características de adolescente, em suma, está a começar a amadurecer. Os novos elementos inseridos também tornaram o filme muito mais atraente. Desta vez, as criaturas mágicas surgem num maior número e vão desde Hipogrifos, passando pelo bicho-papão e chegando aos Dementors, os seres que sugam a alma das pessoas e que se encontram supostamente apenas em Azkaban. Estes, aliás, mostram-se criaturas pouco originais, e donos de um design que lembram muito os Espectros do Anel, as criaturas da trilogia O Senhor dos Anéis.
Novamente, o filme chama a atenção pela quantidade de nomes conhecidos do cinema e do teatro britânico. Enquanto Maggie Smith e Alan Rickman dispensam elogios, algumas novidades surgem, como Michael Gambon, que substitui o falecido Richard Harris na pele de Albus Dumbledore e que faz um trabalho espetacular. Gambon traz um ar muito mais ativo ao personagem, apagando a imagem lenta que Harris havia construído para o bruxo. David Thewlis interpreta Remus Lupin com muita simpatia, enquanto que Gary Oldman constrói uma composição fantástica para Sirius Black, o prisioneiro referido no título.
E como já foi dito, Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson surgem bem mais à vontade nos seus fantásticos papéis, especialmente Radcliffe, que aqui começou a apresentar o seu talento dramático, ao encarnar bem todas as angustias e medos do pequeno bruxo. Mas sinceramente incomodou-me o facto de Rupert Grint e o seu personagem não terem recebido mais atenção, e a impressão que acaba por ficar é de que o Ron foi completamente descartável para a história, assumindo apenas uma função cómica. E mesmo com a sua considerável queda de ritmo nos últimos 20 minutos, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban firmou-se como um dos grandes exemplares da saga, aquele que será eternamente lembrado pela nova cara que deu às aventuras do jovem bruxo
E chegamos ao fim do nosso terceiro dia da Semana Harry Potter, será que ainda falta muito para chegar a hora do meu filme favorito da saga? Em breve descobrirão, fiquem atentos ;)

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Harry Potter e a Câmara dos Segredos

Chegamos ao segundo dia da Semana Harry Potter e hoje como era de esperar falarei do segundo filme/livro da saga, o nosso fantástico Harry Potter e Câmara dos Segredos .
Harry Potter e a Câmara dos Segredos, o segundo filme baseado na obra da fantástica J.K. possui a meu ver uma grande vantagem sobre o seu antecessor, A Pedra Filosofal. Tendo estabelecido os personagens, o cenário de Hogwarts, os professores e a potencial ameaça do malvado Lord Voldemort que quer voltar à vida, tanto o guionista Steve Kloves quanto o diretor Chris Columbus puderam realizar aqui um trabalho mais fluído, sem as bruscas mudanças entre os “episódios” que chateavam bastante no primeiro filme, embora a fidelidade ao livro e o peso do “início de saga” forçassem aquela obra para esse caminho.
É verdade que o Chris Columbus continua a não arriscar no desenvolvimento da obra, mas é também inegável que ele faz um bom trabalho nesta direção. É possível ver que o cineasta consegue fluir as ações do “resgate” do Harry pelos fantásticos Weasley, a primeira aparição do fofo elfo-doméstico Dobby, A Toca, a traumática viagem no carro voador até Hogwarts… tudo está bem interligado, não havendo necessidade de sub-histórias como pequenas curtas-metragens dentro da longa-metragem.
E é evidente que um caminho mais confortável em termos narrativos ajude não só a criar um bom resultado final para a história como também dê maior liberdade aos atores de entrarem nos seus personagens e acompanharem a evolução da situação em pauta: a abertura da Câmara ds Segredos e os ataques a alguns alunos alunos na escola, que acabam petrificados — embora se saiba que a intenção do vilão era matar. O trio protagonista formado pelos já conhecidos Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson está mais convincente e definitivamente mais entrosado, fazendo com que cada um tenha ótimos momentos em cena, mas neste filme, curiosamente, os dois rapazes saem-se melhor, algo que não vemos muito nos filmes seguintes, já que a Emma ganha uma rápida maturidade cênica, roubando assim constantemente as cenas a partir de O Prisioneiro de Azkaban.
Mas o maior prémio d’A Câmara dos Segredos e também de toda a saga, é a direção de arte. Com uma equipa principal forma por 11 profissionais, sendo Stuart Craig responsável pelo desenho de produção, Stephenie McMillan pela decoração de cenários e mais 9 diretores de arte, o filme esbanja criatividade e beleza nesse aspecto técnico. Da casa dos Dursley à Toca e daí para Diagon Alley; das áreas externas de Hogwarts ao interior das Salas Comuns, o escritório do Dumbledore, a cabana do Hagrid, as salas de aulas e a Floresta Negra… absolutamente toda a produção artística do filme é de um primor inacreditável. Detalhes de cor, objetos complementares, localização e utilização desses objetos dentro da história são quesitos muito bem vindos aqui.
A fotografia do Roger Pratt transmite muito bem a urgência da questão racista nas entrelinhas do filme e ajuda a mudar um pouco a visão mais infantil que marcara não só toda a narrativa de A Pedra Filosofal mas também o seu tratamento estético. Com uma paleta de cores mais escuras do que a do filme anterior e uma maior dramatização na iluminação e formas de filmar os personagens abre-se o caminho para a intensificação da ameaça sobre o mundo bruxo, que, como sabemos, se torna maior a cada filme e é acompanhada por um progressivo escurecimento da fotografia que fica perfeitamente.
Trazendo o excelente Kenneth Branagh como o louco professor Gilderoy Lockhart, ótimos efeitos especiais e visuais, uma trilha sonora novamente marcante do nsso John Williams e uma equipa técnica exemplar, Harry Potter e a Câmara dos Segredos é sem dúvida uma aventura e tanto. O filme perde no tratamento dado a alguns personagens e na direção sem muita imaginação, mas é capaz de nos entregar sequências como as do ótimo jogo de Quidditch e a luta final do Harry contra o malvado Tom Riddle e o Basilisco, provando que, a despeito dos tropeços, a magia vence e pode-se ter um ótimo filme em mãos.
Por hoje ficamos por aqui com a nossa Semana Harry Potter. Será que ainda falta muito para o meu filme preferido ;)? Fiquem atentos ao resto da nossa fantástica Semana Harry Potter.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Esta semana vou fazer aqui algo novo que será a Semana Harry Potter e obviamente que não posso começar o primeiro dia de outra forma que não a falar sobre o primeiro filme/livro Harry Potter e a Pedra Filosofal.
Lá em 2001 nove em cada dez revistas que falavam sobre entretenimento estamparam fotos do meu fofo Harry Potter na sua capa. As que não fizeram isso, trabalham para falarem nas suas próximas edições sobre este menino que aos 11 anos descobre ser um dos bruxos mais famosos do mundo, senão o mais famoso mesmo.
Os personagens criados por J.K.  tornaram-se sinónimo de lucro certo e até mesmo agora estão em jogos, latinhas de Coca-Cola e brinquedos. Esta onda intensificou-se ainda mais com a produção cinematográfica de Harry Potter e a Pedra Filosofal, o primeiro livro da saga. Desembolsando a bagatela 700 mil dolares, o produtor David Heyman garantiu em 1997 os direitos de transformar o ainda inédito primeiro livro e o seu sucessor em filmes. Com a parceria do estúdio Warner Bros Pictures deixou o guião por conta de Steve Kloves. Embora não se encontre no texto oficial que a WB envia à imprensa, Steven Spielberg era o nome preferido para a cadeira de diretor, mas ele optou por realizar A.I. Inteligência Artificial, o projeto inacabado do seu amigo Stanley Kubrick. Na verdade quem se deu bem foi Chris Columbus, o discípulo de Spielberg, que acabou por herdar o seu posto. Logo no primeiro encontro com J.K. Rowling, Columbus ganhou imediatamente a sua confiança e simpatia. Ele dizia fazer questão de um filme bem fiel à criação da escritora, totalmente filmado na Inglaterra e unicamente com atores ingleses. O golpe de misericórdia: ela teria carta branca para opinar nas decisões, algo que não constava no contrato da criadora.
A escolha do elenco agradou à maioria dos fãs desde o seu começo. Era inegável a semelhança física entre o jovem Daniel Radcliffe e Harry Potter. Emma Watson estava muito bem no papel de Hermione Granger, a estudiosa filha de muggles, que no início é muito arrogante, mas logo se torna uma das melhores amigas de Harry. Rupert Grint é quase tudo o que o Ron Weasley é no livro. Só não ficou mais idêntico porque Columbus optou por abrandar a falta de dinheiro do clã Weasley e, consequentemente, o sofrimento do menino que tem que se contentar com as roupas, a varinha mágica e até a mascote que um dia foram dos irmãos mais velhos.
Um facto que não passa despercebido em todo o filme é a estatura do amoroso gigante Rubeus Hagrid. O diretor usou à exaustão (e com maestria) os ângulos de câmera para tornar o ator Robbie Coltrane ainda maior. Quando a cena mostrada pelo ponto de vista dos alunos, quem filma está bem por baixo da sua cintura, a olhar para cima. E quando é Hagrid quem se dirige aos pequenos bruxos, a câmera fica acima dos seus ombros, a olhar para baixo deixando assim os pequenos quase minúsculos.
A versão cinematográfica tem quatro cenas que merecem todo o destaque. Duas delas porque foram criadas pela J.K. especialmente para o filme. A partida de Quidditch entre os Griffyndor e os meus Slytherin (sim, eu sou dos Slytherin ;)) é uma daquelas cenas que vale bem a pena. Desenvolvida por meio de computação gráfica pela Industrial Light and Magic, o jogo é três vezes mais emocionante quando visto no grande ecrã. Pode-se dizer que desde que o jovem Anakin Skywalker participou da corrida de Pods, em Star Wars - Episódio I, não se via algo tão divertido e emocionante ao mesmo tempo.
Mas nem tudo o que Chris Columbus tocou virou ouro, digamos assim. Algumas partes do livro tiveram que ser cortadas, ou suprimidas, para que o filme não ficasse ainda mais longo do que os seus fantásticos 152 minutos. Por exemplo, o diretor “correu” com a sequência em que o Tio Vernon tenta impedir que o Harry receba a carta que conta-lhe tudo sobre Hogwarts. Um pouco depois, os Dursley saem da sua casa rodeada por corujas para aparecerem, de um momento para o outro, num casebre no meio do mar. Quem leu o livro vai lembrar-se do crescente desespero do tio a cada nova carta entregue. Os que não leram podem assustar-se com a falta de continuidade. O mesmo problema ocorre mais para o fim, quando o Harry e os seus amigos descobrem o mistério sobre a Pedra Filosofal. Parece que havia alguém a gritar: “despachem-se que o tempo está a acabar!”

Um último ponto negativo que deve ser registrado é a falta de importância que o filme deu à competição entre as casas e até mesmo ao Campeonato de Quidditch.
Os defeitos falados são tão pequenos perto da dificuldade que é traduzir para o cinema um livro que na altura tinha vendido já mais de 110 milhões de cópias à volta do mundo e que os fãs conheciam tão bem. Os produtores, felizmente, não cometeram atrocidades como mudar completamente os personagens. O máximo visto em cena foi “transformar” os três centauros em apenas um (Firenze), algo completamente aceitável, levando-se em consideração a real importância dos outros homens-cavalo na história. Basicamente este é um filme simplesmente bem feito e vamos admitir bem fofinho  que consegue arrebatar o coração de qualquer um <3
Mas bem este não é o meu filme preferido de toda a saga. Qual será? Fiquem atentos que em breve descobrirão num outro dia da nossa Semana Harry Potter <3